
Eu criei esse blog, querendo ser como muitas fontes da espiritualidade por aí: tudo muito zen, só gratidão, dissolver o ego e tudo o que você já deve saber como funcionada (pois tá cheio disso por aí). E então muita gente começou a dizer que essa espiritualidade era tóxica e eu já vinha começando a ver da mesma forma. Pois eu me sentia muito mal por não ser como o pessoal espiritual da internet. Inclusive, eu já reproduzi essa espiritualidade e que me fez mal, sabe? Então eu não tô aqui pra julgar. Tudo isso faz parte da caminhada, da aprendizagem.
Ter a espiritualidade aflorada pra mim, desde cedo e sem saber o que era aquilo, não foi nada fácil. Ser mais aflorado pra essas coisas, num mundo como o nosso, não é fácil. Quem diz que é, mais uma vez, ou tá mentindo ou cresceu numa família que deu suporte pra isso e ainda assim, costuma não ser fácil. E tem gente vendendo como se fosse, mas não é. A não ser que você escolha viver em uma bolha. Mas nesse caso, não é o meu caso. Eu sempre fui muito ligada ao que é problemático no mundo e sempre quis resolver essas questões, tanto que eu, curso Direito e pretendo continuar nesse caminho. Apesar de amar outras coisas, também: escrever, tirar foto, conversar... mas não acho que seja capaz de resolver a questão, como o Direito o é. Essa é a minha percepção.
Apesar do nome do blog ser "feita de luz" e logo parecer que eu sou apenas isso, não quer dizer que aqui, nesse corpo com esse nome e esse rosto, eu seja só luz. Até por estarmos em um mundo dual. Então, sim, eu tenho muita luz. Mas tenho a mesma proporção de sombra. É assim que é. Já briguei muito com essa sombra, mas hoje, eu meio que fiz as pazes com ela. Inclusive, eu cansei de viver mantendo mentiras. Sejam elas mentiras criadas por mim ou criadas por outras pessoas. Eu cresci num lar com uma pessoa narcisista, por exemplo e eu meio que faço segredo disso. Mas tô cada vez mais, criando coragem pra abrir a boca. Faz mais ou menos uns 4 anos que descobri, justamente quando eu estava no fundo do poço. Tão fundo que eu achei que não iria sair. Eu tive muito medo. E eu já era espiritualizada, bastante.
Então se espiritualizar, não quer dizer que você irá ficar imune. Pelo contrário. Quanto mais consciência, mais responsabilidade, mais cobrado você é, mais suas ações terão consequências. É claro que você também aprende a lidar melhor com tudo, inclusive com tudo isso que a espiritualidade tratá pra sua vida como forma de novidade. Mas muitas vezes, ao mergulharmos na espiritualidade, nos vemos perdidos, sozinhos... máscaras caem (começando por nós mesmos), pessoas se afastam. Mas em consequência, vemos que erros fazem parte, nos tornamos mais tolerantes, mais resilientes. Mas isso não muda o mundo. Só muda a nós mesmo e talvez isso irrite ou inspire outras pessoas.
A espiritualidade não te torna especial, diferente, superior. Nem te torna esquisito, excluído ou inferior. Mas as pessoas podem te colocar em alguma dessas caixinhas. Tem gente que me acha incrível, quer que eu pregue na sua religião (mesmo eu sendo bicho solto). E tem gente que diz que sou louca, que eu deveria ser internada em um hospício (mesmo essas pessoas sabendo que eu sou completamente sã). Mas o que importa, pra mim, é que desde que eu aceitei a minha espiritualidade como ela é e comecei a exercer ela, minha vida se tornou muito melhor. Passei a me sentir mais confortável em meu próprio corpo. E já aprendi uma coisinha ou outra, pois é um tema muito vasto e muito pessoal. A espiritualidade é única e exclusivamente exercida por você. Ninguém te diz o que seguir, o que acreditar. É real e é libertador.
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