navegar pelo menu
terça-feira, 24 de dezembro de 2019

 

| Série: Sense8 - Netflix |


Sou tão intensa que dói. 
Não acredito em pessoas que se dizem intensas e que gostam disso. A não ser que elas gostem de sentir dor. O que não é o meu caso. 
Já não brigo mais com essa característica minha. De mergulhar em uma bolha e esquecer do que passa a orbitar ao redor. Meu mundo se torna a bolha. Não consigo respirar fora. Eu me torno a bolha e chego a esquecer quem eu sou. 

Meu último projeto, eu mergulhei nele por 6 meses. E no final, me peguei com saudades de mim, mesmo convivendo comigo o tempo todo. Nós não nos livramos de quem nós somos nem quando dormimos. E ainda assim, senti a minha falta. E sequer deixei o lado espiritual abandonado. E quando necessário fiz pausas, descansei, refleti. Mas aquilo que me consumiu. E ainda assim não foi o suficiente.

Eu larguei o blog, a fotografia, a arte para me dedicar aos meus estudos. Consegui muito pouco se comparado ao que renunciei. E dei assim, início a minha jornada rumo a infelicidade. Não consegui o estágio que tanto queria e fiquei sem a arte para me poupar de sentir que estou a ponto de enlouquecer de tanta frustração. Não valeu a pena. Então estou voltando.

Abri mão das pessoas, pois fui magoada e traída demais (mesmo, coisas pesadas aconteceram) e me vi totalmente isolada. E eu, que sempre gostei da solidão, comecei a me sentir sozinha. Bati meu recorde sem amigos físicos e não recomendo. Tenho medo de  sair só. Queria conhecer alguém, conheci algumas pessoas, mas não consigo desenrolar a situação. Não desenvolve.

E o projeto de 6 meses? Ele também não foi como eu gostaria. O melhor foi o grupo de pesquisa que consegui entrar. Mas imagine? Sim. Não deu muito certo. Larguei tanto por tão pouco, quase nada. Foi muito pois a arte está enraizada em meu ser. Negar ela, é negar uma parte enorme minha. A parte que me salva, a parte que colore a minha vida cheia de amargura e traumas.

Sempre foi a arte que me amorteceu do impacto da vida. E a vida me derrubou mais vezes do que eu fui capaz de contar. E incontáveis vezes eu preferi continuar no chão por saber que não aguentaria uma queda em seguida. Mas a arte me sustentou. A escrita me deu a voz que eu não tinha. Eu grito através das palavras não faladas. Mas ainda assim, ditas. Lidas.

Eu vi em meus estudos a única saída para uma vida melhor. Mas não tem valido a pena. Já perdi tempo demais buscando uma melhora que não chega nunca. Eu quero voltar a viver. Quero voltar a ter experiências novas, sentir sensações, rir sem ter que me preocupar. Eu quero voltar a amar e a ser amada. E no meio desse processo todo, tenho lidado com uma criação abusiva que eu tive. Sim, coisas demais. Eu não sei dizer como eu cheguei até aqui. Mas o que importa é que aqui estou. Cada vez mais inteira.

Eu não aceitarei mais ser uma metade. Só me aceito inteira. Ou eu caibo por inteira ou eu me retiro. Sequer aguento mais meias verdades. Mentir nunca me doeu tanto como dói hoje. Dói a mentira entalada na garganta. E se eu não posso falar, que eu me permita ao menos o que sempre me salvou: escrever. Para que eu permaneça sã e inteira.
terça-feira, 25 de junho de 2019


Eu criei esse blog, querendo ser como muitas fontes da espiritualidade por aí: tudo muito zen, só gratidão, dissolver o ego e tudo o que você já deve saber como funcionada (pois tá cheio disso por aí). E então muita gente começou a dizer que essa espiritualidade era tóxica e eu já vinha começando a ver da mesma forma. Pois eu me sentia muito mal por não ser como o pessoal espiritual da internet. Inclusive, eu já reproduzi essa espiritualidade e que me fez mal, sabe? Então eu não tô aqui pra julgar. Tudo isso faz parte da caminhada, da aprendizagem. 

Ter a espiritualidade aflorada pra mim, desde cedo e sem saber o que era aquilo, não foi nada fácil. Ser mais aflorado pra essas coisas, num mundo como o nosso, não é fácil. Quem diz que é, mais uma vez, ou tá mentindo ou cresceu numa família que deu suporte pra isso e ainda assim, costuma não ser fácil. E tem gente vendendo como se fosse, mas não é. A não ser que você escolha viver em uma bolha. Mas nesse caso, não é o meu caso. Eu sempre fui muito ligada ao que é problemático no mundo e sempre quis resolver essas questões, tanto que eu, curso Direito e pretendo continuar nesse caminho. Apesar de amar outras coisas, também: escrever, tirar foto, conversar... mas não acho que seja capaz de resolver a questão, como o Direito o é. Essa é a minha percepção. 

Apesar do nome do blog ser "feita de luz" e logo parecer que eu sou apenas isso, não quer dizer que aqui, nesse corpo com esse nome e esse rosto, eu seja só luz. Até por estarmos em um mundo dual. Então, sim, eu tenho muita luz. Mas tenho a mesma proporção de sombra. É assim que é. Já briguei muito com essa sombra, mas hoje, eu meio que fiz as pazes com ela. Inclusive, eu cansei de viver mantendo mentiras. Sejam elas mentiras criadas por mim ou criadas por outras pessoas. Eu cresci num lar com uma pessoa narcisista, por exemplo e eu meio que faço segredo disso. Mas tô cada vez mais, criando coragem pra abrir a boca. Faz mais ou menos uns 4 anos que descobri, justamente quando eu estava no fundo do poço. Tão fundo que eu achei que não iria sair. Eu tive muito medo. E eu já era espiritualizada, bastante. 

Então se espiritualizar, não quer dizer que você irá ficar imune. Pelo contrário. Quanto mais consciência, mais responsabilidade, mais cobrado você é, mais suas ações terão consequências. É claro que você também aprende a lidar melhor com tudo, inclusive com tudo isso que a espiritualidade tratá pra sua vida como forma de novidade. Mas muitas vezes, ao mergulharmos na espiritualidade, nos vemos perdidos, sozinhos... máscaras caem (começando por nós mesmos), pessoas se afastam. Mas em consequência, vemos que erros fazem parte, nos tornamos mais tolerantes, mais resilientes. Mas isso não muda o mundo. Só muda a nós mesmo e talvez isso irrite ou inspire outras pessoas. 

A espiritualidade não te torna especial, diferente, superior. Nem te torna esquisito, excluído ou inferior. Mas as pessoas podem te colocar em alguma dessas caixinhas. Tem gente que me acha incrível, quer que eu pregue na sua religião (mesmo eu sendo bicho solto). E tem gente que diz que sou louca, que eu deveria ser internada em um hospício (mesmo essas pessoas sabendo que eu sou completamente sã). Mas o que importa, pra mim, é que desde que eu aceitei a minha espiritualidade como ela é e comecei a exercer ela, minha vida se tornou muito melhor. Passei a me sentir mais confortável em meu próprio corpo. E já aprendi uma coisinha ou outra, pois é um tema muito vasto e muito pessoal. A espiritualidade é única e exclusivamente exercida por você. Ninguém te diz o que seguir, o que acreditar. É real e é libertador. 
sábado, 1 de setembro de 2018

| imagem: ThyHaBich |

A relação mais importante é a menos falada. Quando se trata de pessoas, é um tanto óbvio. Parece que onde há a maioria, há algo errado. Somos induzidos desde crianças a acreditar que o amor romântico é a nossa maior conquista. Mas o equívoco não poderia ser maior e mais danoso. A nossa maior conquista está relacionado a forma com que nos relacionamos com nós mesmos, pois ela é o ponto inicial de tudo. 

O que você faz com você, o que você permite chegar até você, é o que determina o que vem até você, até onde você decide ir, o que você acha que merece ou não, o que você gosta ou não. Não tem como partir para algo se você nem sabe de onde está saindo. E é por isso que grande parte dos nossos relacionamentos, principalmente os amorosos, são tão conflituosos e acabam fadados a um fim bastante desgastante e desagradável. Bem como o próprio rumo (ou falta deste) que a nossa vida no geral, acaba tendo. Nós nunca estamos satisfeitos e quase sempre, nem sabemos o motivo por trás de tanto desgosto. Só é horrível e não saímos disso. Saímos, mas voltamos para o mesmo lugar. É um ciclo que não acaba nunca. 

Se você não se relaciona bem com você, não se conhece, você nem sabe o que você precisa. Se você está na superfície até em relação a você mesmo, ao tentar mergulhar no outro, não há dúvidas: você irá se afogar. Ou, o outro será tão raso como você e ambos viveram um amor social de fachada, bem na superfície. Não é bem um amor, mas pelo menos você tem alguém, né? Pelo menos não vão dizer que você vai pra cova só. Já que é tão mal visto ser sozinho, dizem que você é infeliz, um coitado. Mas ainda acompanhado, no trabalho em que diziam que seria perfeito para você ser feliz, o vazio no peio não cessa e você percebe que o que você tem, não parece ser  certo pra você, mas você não sabe dizer o motivo pelo qual ele seria o errado e no fim, não sabe nem mesmo o que seria o certo. Você se sente então, perdido.  

Você não sabe o que quer. Se você não se conhece, não conhece suas necessidades mais básicas. Por isso que a maioria das pessoas são tão infelizes. Elas seguem o roteiro que dizem o que é ter uma boa vida e no fim, estão totalmente insatisfeitas. E ficam sem entender. Seguiram o roteiro, não seguiram? E é esse o ponto da questão. Não existe uma fórmula para todos, existe algo bem específico para cada um de nós. Feito por cada um de nós. A nossa própria fórmula. Mas só é possível quando mergulhamos em nós mesmos, ainda que aos poucos, para acostumar com a nossa própria profundidade. 

| imagem: caminho do meio |

Quer ter relacionamentos melhores? Uma vida mais fluída e condizente com você? Não procure fora. Olhe pra dentro. A resposta é você. Comece a se enxergar por dentro e não pelo seu exterior, moldado pelo outro. Lapide você. Desvista o comum e vista-se com a sua própria verdade, com seu próprio roteiro e o modifique, caso seja necessário, não importa quantas vezes forem. Nós mudamos, o roteiro muda também! Geste seu novo eu e o coloque pra fora. Renascer, é parir-se. É escolher viver com o seu verdadeiro eu. Aquele de destoa na multidão, tão único, por ser só seu.

Gestar o novo, dentro de você, a medida em que você for se descobrindo. Como? Experimentando tudo que for possível e descobrindo de fato, o que ressoa com você. Seja um estilo de música, de filme ou até de comida. De que jeito você prefere acordar? Sua fé é essa aí mesmo? Vá fazendo diversas perguntas para você e sem censurar com a resposta. Não tenha pudores com você. Não minta pra você, seja honesto. A sua verdade já está aí, basta você querer vê-la, aceitá-la e vivê-la. E sim, não deixa de ser uma escolha de coragem. Ser colorido num mundo em escala cinza é algo que acaba destoando. Ser quem realmente somos, é não nos encaixarmos em tudo como a sociedade quer que a gente seja. Talvez deixe de existir até um lugar aonde a gente cabia, mas sabe algo? E se for você que irá criar um lugar novo?

Não vou mentir para você, querido leitor. Gestar seu verdadeiro eu, ir amadurecendo ele, acostumando-se com ele, esse eu que nunca foi apresentado a você e sempre foi colocado como o errado, mas que você sente e sabe, que é aquele eu e aquela verdade que realmente ressoa com você, com sua energia, com seu caminho. É doloroso morrer, é verdade. É doloroso renascer, principalmente por estar sob o olhar alheio e que julga e que não é nada empático. E que não entende por qual motivo, você resolveu não escolher o roteiro genérico. Você foi ousado, quebrou barreiras. Ousou construir um roteiro próprio! A escolha mais corajosa a ser feita.

Ao renascer, a sua energia muda, sentimentos morrem, pessoas se vão. Você irá se questionar se foi a escolha correta. Parecia tão certo, então por qual motivo as coisas começaram a ruir? Ué, querido. É para chegar os sentimentos novos, pessoas novas! Que ressoem melhor com você. Quando esse novo eu for colocado diante do mundo, ainda que seja tão assustador e caótico... você não conseguirá mais o segurar dentro de você. E quando o novo eu se adaptar, você verá, que foi de fato a melhor escolha a ser feita. E perceberá, então, que todo esforço mais do que valeu a pena.